Quinta-feira, 21 de junho de 2018

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Dependência do mundo virtual pode ser um problema

Publicado em 19.04.2016 15:23

virtual

O uso patológico da internet pode ser entendido da mesma maneira que outras dependências.

Facilidade, praticidade, acesso fácil. Muitas são as características citadas quando se fala do uso da internet. Mas o que parece ter vindo apenas para o bem pode causar problemas se seu uso não for controlado.

Neste sentido, a professora do curso de Psicologia da IMED e psicóloga, Cristina Pilla Della Méa e a psicóloga Eliane Maria Biffe falam sobre o uso da internet.

O uso da internet está presente no dia a dia da maioria das pessoas, seja para adquirir novos conhecimentos, para interagir com amigos e familiares nas redes sociais ou por outro entretenimento. Acessamos a tecnologia de forma tão automática e várias vezes por dia, sendo indiscutível os benefícios que ela nos traz. Contudo, o uso excessivo vem acompanhado de algumas preocupações. Existe um número significativo de pessoas que apresentam um comportamento exagerado quanto ao uso dessas ferramentas, o que pode acarretar prejuízos sociais, afetivos, laborais e financeiros para a sua vida. Os adolescentes, por sua vez, são o grupo etário mais suscetível para apresentar sintomas de dependência de internet.

A dependência ocorre quando o indivíduo passa muito tempo na frente do computador ou fazendo uso da internet através do celular ou tablet, apresentando dificuldade de diminuir esse comportamento. O mundo virtual fica cada vez mais atrativo, sendo que as relações sociais e convívio familiar acabam reduzidas. Também, muitas horas na frente da tela trazem prejuízos no sono, principalmente para o adolescente. Os estudos mostram que o horário preferido para utilizar é a noite, mais precisamente entre às 21h até às 3h. Assim, passam a ter dificuldade para levantar cedo ou acabam indo para as atividades escolares com sono, acarretando prejuízos a nível de aprendizagem. Em casos mais graves, o sujeito passa a se alimentar de forma rápida ou ingere alimentos na frente da tela e, ainda, se descuida da própria higiene por ficar muito tempo online. Cabe ressaltar que a maioria dos dependentes não se dão conta e não admitem que estão com problemas nessa esfera.

O uso patológico da internet é entendido da mesma maneira que outros comportamentos adictos, como por exemplo a dependência química de álcool e drogas, já que há mudanças cerebrais semelhantes quando se utiliza de forma abusiva a internet. Além disso, pode-se identificar a dependência física, ou seja, quando o corpo do indivíduo se torna dependente ao ponto de vivenciar sintomas de abstinência (quando tem o uso da ferramenta descontinuado), sendo que este comportamento leva a pessoa ao comportamento compulsivo. Já a dependência psicológica, considerada uma das principais problemáticas apresentadas pelos indivíduos, ocorre quando o mesmo passa a ter sintomas de abstinência, como exemplo, depressão, ansiedade, fissura, insônia e irritabilidade (Young, Yue, & Ying, 2010; Straub, 2014).

O diagnóstico de dependência de internet não é simples de ser realizado, porque o uso legítimo, pessoal ou para trabalho encobre o comportamento dependente e também por ser um transtorno que vem sendo estudado. Neste sentido, o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais – DSM-5 incluiu em seus apêndices, instigando para estudos posteriores, o que define por transtorno do jogo pela internet. Esta classificação não abrange o uso global de internet, mas limita-se a uma atividade (jogos). Espera-se que a partir deste diagnóstico apresentado pelo DSM-5, surjam novas descobertas acerca do tema, possibilitando o surgimento de uma nova categoria de saúde mental (American Psychiatric Association, APA, 2014).

Acrescenta-se, ainda, a influência de fatores situacionais no desenvolvimento da dependência de internet, como problemas pessoais (situação financeira, estresse), mudanças de vida (recolocação profissional, morte de alguém querido) e escolares (relação com colegas e professores). Tais situações são consideradas de risco e podem favorecer o uso da internet como fuga psicológica, desviando o usuário de um acontecimento difícil da vida real (Young et al., 2010; Wang, Zhou, Lu, Wu, Deng & Hong, 2011).

Outro ponto que é visto como agravante no diagnóstico da dependência de internet, é haver um diagnóstico de uma outra patologia psiquiátrica. Estudos confirmam correlação entre sintomas depressivos (tristeza, agitação ou ansiedade, fadiga, sentimento de culpa ou inutilidade, ideação suicida, dificuldades para tomar decisões, ruminação, desesperança, insatisfação crônica, expressões de desamparo, retraimento social) e sintomas de ansiedade (palpitações, tremores, náuseas, sudorese, hiperventilação, parestesia, aceleração cardíaca) com a dependência de internet. Indivíduos com baixa autoestima e tímidos tem mais chance de desenvolver a patologia.

Diante disso, é importante que os pais fiquem atentos e monitorem o comportamento dos seus filhos frente ao uso das tecnologias. Ficar muito tempo conectado a ponto de não conviver com outras pessoas; não conseguir diminuir o tempo na frente da tela; estar falando e pensando o tempo todo em questões relacionadas ao mundo virtual; mentir o tempo que fica conectado e ter a crença que a vida sem internet não tem graça pode ser um sinal de que precisa de ajuda. Nesse sentido, os pais podem ajudar as crianças e adolescentes estimulando outras atividades, como por exemplo, o exercício físico, brincadeiras ao ar livre e convívio social. Determinar regras sobre o tempo de utilização da internet e supervisionar isso é um dos pontos fundamentais para que não se instale um comportamento dependente. Caso seja detectado um uso exagerado da internet, deve ser buscado ajuda especializada. A terapia cognitivo-comportamental vem sendo estudada e se mostra eficaz para esses casos.

* Bruna de Mattos / Assessora Comunicação IMED.

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