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Impacto do mau uso de agrotóxicos na saúde humana é discutido em seminário na UPF

Publicado em 15.09.2015 15:00

“Seminário regional de vigilância da exposição humana a agrotóxicos” reuniu entidades de saúde e agricultores preocupados com os reflexos do consumo de agroquímicos pela população

Há sete anos, o Brasil é o primeiro país do mundo em utilização de agrotóxicos. O mercado desse tipo de produto cresceu 190% no Brasil nos últimos 10 anos, enquanto em nível mundial o aumento foi de 93%. Ao todo, 22 dos 50 princípios ativos mais utilizados nos agrotóxicos comercializados no Brasil estão proibidos nos principais países do mundo. Em 2005, a Anvisa ampliou em 50 vezes para a soja e em 10 vezes para o milho o limite máximo de resíduos de glifosato, isso para viabilizar o plantio comercial de variedades transgênicas. Em 2011, foram 853 milhões de litros de agrotóxicos utilizados no país.

Dados como esses preocupam especialmente no que diz respeito à saúde humana, que tem sentido os reflexos desse consumo desenfreado. A fim de evidenciar os efeitos do mau uso de agrotóxicos e o impacto na saúde humana e nos alimentos, a Universidade de Passo Fundo (UPF) recebe, nesta terça-feira, 15 de setembro, os debates do “I Seminário regional de vigilância da exposição humana a agrotóxicos”. O evento reúne agricultores, associações e sindicatos de trabalhadores rurais, profissionais de saúde, extensionistas rurais, acadêmicos e comunidade em geral.

Palestras

Na parte da manhã, o tema “Agrotóxico – agricultura tóxica” foi abordado pelo 1º Promotor de Justiça Especializada de Passo Fundo, Paulo da Silva Cirne. Também, a engenheira agrônoma e professora da UPF Claudia Petry versou sobre “Agroecologia – caminhos para a autonomia e segurança alimentar”, e o tema “Impacto dos agrotóxicos na saúde humana” foi abordado por Vanda Gariboti, do Centro Estadual de Vigilância em Saúde.

A palestra “Programa de análise de resíduos de agrotóxicos nos alimentos”, com Suzana Nitt, do Centro Estadual de Vigilância em Saúde, deu início às atividades da tarde e, ainda, “Efeitos do mau uso dos agrotóxicos” foi o tema explanado pela engenheira agrônoma da Secretaria Estadual da Agricultura Pecuária e Agronegócios Maria Helena Benedetti. O seminário ainda contou com a presença de produtores rurais, que relataram suas experiências.

Em defesa da saúde

Presente na solenidade de abertura, a vice-reitora de Extensão e Assuntos Comunitários Bernadete Dalmolin destacou que testemunhou a ascendência dos agrotóxicos e há muito tempo participa de discussões sobre esse processo desenfreado que tem provocado sofrimento e adoecimento da população. “Compartilho o sentimento de estar nesse lugar, de poder ter colegas pesquisadores que se propõem a discutir a agroecologia e toda essa situação decorrente do uso de agrotóxicos na agricultura, para a saúde humana e para o meio ambiente”, aponta.

Para a professora Claudia Petry, a congregação desses públicos revela a interdisciplinaridade que a Universidade propõe. “Somos seres humanos e consumidores, não temos como separar o que comemos daquilo que o agricultor produz e do que é oferecido no mercado, por isso precisamos chamar a atenção sobre o que é soberania e segurança alimentar. Precisamos, cada vez mais, ter agentes multiplicadores e a Universidade traz informação, que repassa para a sociedade”, define.

Com expressiva atuação na causa, o promotor Paulo Cirne destaca que a preocupação em relação aos agrotóxicos é grande por várias razões, tanto sob o ponto de vista da contaminação de alguns alimentos, principalmente hortigranjeiros, como pelos problemas ambientais que estão sendo causados por alguns produtos nocivos, aplicados de forma incorreta e em quantidade excessiva. Além desses, também pela saúde humana, tanto de quem aplica como de quem se relaciona com essas pessoas. “O problema é amplo, por isso a necessidade da conscientização e da mudança de alguns hábitos em nossa sociedade”, justifica.

O evento é uma realização da Secretaria Estadual de Saúde, por intermédio do Centro Regional de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest/Nordeste), e da Rede Nacional de Atenção Integral à Saúde do Trabalhador (Renast), com apoio da UPF e da Secretaria Municipal de Saúde de Passo Fundo. O seminário contou com a presença do secretário municipal de Saúde Luiz Artur Rosa Filho e do delegado regional da 6ª CRS Douglas Kurtz. Durante a abertura, houve apresentação artística de uma dupla do Sindicato da Agricultura Familiar de Espumoso. As atividades foram realizadas no Centro de Eventos da UPF.

Feira Ecológica

Os participantes do Seminário e a comunidade acadêmica puderam participar de mais uma edição da Feira Ecológica na UPF, onde foram comercializados produtos diferenciados e livres de agrotóxicos. De Santo Antônio do Palma, o Grupo Ecológico Santo Antônio trouxe frutas, verduras, sementes, farinhas, sucos e doces para participar da feira. A associação de produtores existe há 17 anos e comercializa seus produtos na Feira Ecológica que é realizada semanalmente na Praça da Mãe, em Passo Fundo.

Alceo Primel é um dos sete produtores associados ao Grupo e, segundo ele, uma das dificuldades em termos de produção é a contaminação dos produtos orgânicos. “Nosso produto é ecológico, livre de agrotóxicos. Produzimos em áreas certificadas e com monitoramento constante, mas o sistema de contaminação por produtos transgênicos tem dificultado, por que ocorre até mesmo pelo ar”, relata. A Feira Ecológica foi realizada no Centro de Eventos da UPF.

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